Ontem na madrugada de sexta pra sábado, o Brasil ficou de olho no cubo chinês. Era tão esperada a prova dos 50 metros livre. Foi então que percebir como é bom ser brasileiro, algo de lindo foi realizado naquele momento, ouvir pela primeira vez o hino nacional. Na minha casa todos os amigos de BH estavam presentes eram uma única torcida ... Mas algo estranho aconteceu naquele momento ninguém resistiu e choravamos como crianças, nunca vou esquecer esse dia. Espero que o Brasil consiga mais medalhas nessas olimpíadas.
César Cielo conquistou no sábado (16) a primeira medalha de ouro da natação brasileira ao vencer os 50 metros livre na Olimpíada de Pequim 2008.
Veja abaixo todas as medalhas que a natação do Brasil já conquistou em Jogos Olímpicos.
1952, Helsinque: Tetsuo Okamoto, bronze nos 1.500 metros livre
1960, Roma: Manuel dos Santos Jr, bronze nos 100 metros livre.
1980, Moscou: bronze do revezamento 4x200 metros livre (Cyro Delgado, Djan Madruga, Jorge Fernandes e Marcus Mattioli).
1984, Los Angeles: Ricardo Prado, prata nos 400 metros medley.
1992, Barcelona: Gustavo Borges, prata nos 100 metros livre.
1996, Atlanta: Gustavo Borges, prata nos 200 metros livre e bronze nos 100 metros livre; Fernando Scherer, bronze nos 50 metros livre
2000, Sydney, bronze no revezamento 4x100 metros livre (Carlos Jayme, Edvaldo Valério, Fernando Scherer e Gustavo Borges)
2008, Pequim: César Cielo, ouro nos 50 metros livre e bronze nos 100 metros livre
A natação é tão antiga quanto o homem, pois desde o início dos tempos, era necessário nadar para se locomover e se alimentar, atravessar rios, lagos e mares em busca de abrigo e alimentos. A natação só começou a ser organizada no século XVII, no Japão, onde o Imperador determinou que ela fosse ensinada e praticada nas escolas, mas como o Japão era um país fechado, isso não se disseminou para o resto do mundo. Foi na Inglaterra, em 1837, que a natação foi organizada como competição pela primeira vez, quando foi fundada a Sociedade Britânica de Natação. No início, o estilo adotado pelos atletas era o nado peito. Na década de 1870, J. Arthur Trudgeon, um instrutor inglês de natação, viajou para a América do Sul e observou um estilo alternativo de se nadar. Ele levou o novo estilo para a Inglaterra, onde era chamado nado “trudgeon”, hoje, conhecido como nado crawl com pernada de tesoura.
A natação é um dos esportes nobres das Olimpíadas ao lado do atletismo. Sempre foi um esporte olímpico, desde a primeira disputa em Atenas, 1896. Naquele ano, apenas os estilos livre (crawl) e peito foram disputados. O nado costas foi incluído nos Jogos de 1904, já o borboleta, surgiu como evolução do nado peito, na década de 1940.
No Brasil
A história da natação brasileira inicia em 1908, quando aconteceram em Montevidéu, as primeiras provas internacionais na América do Sul. Graças ao famoso Abraão Saliture, o Brasil conquistou as primeiras vitórias internacionais, vencendo as provas de 100m e 500m livre. Em 1912, a natação foi regulamentada pela Federação Brasileira das Sociedades de Remo. No início do século, as provas de natação eram realizadas em rios. O Tietê foi local de célebres competições. As travessias realizadas nesse rio eram bastante populares. Em 1923, a Associação Atlética São Paulo, uma das entidades fundadoras da Federação Paulista de Natação – FPN – inaugurou a primeira piscina para competições no Estado. Em 1920, na Antuérpia, o Brasil fez sua estréia em Jogos Olímpicos. A modalidade crescia e o reflexo era a maior presença de paulistas nas seleções brasileiras. Nas Olimpíadas de 1936, em Berlim, Maria Lenk foi semifinalista nos 200m costas, enquanto João Havelange, então atleta do Espéria, nadou os 400m e os 1500m. Ao longo dos anos a natação brasileira progrediu muito, o interesse do público e as performances atingidas pelos nadadores contribuiu demais para essa ascensão. Em 1948, a natação masculina do Brasil, pela primeira vez, chegou a uma final olímpica. Nos jogos de Londres, Willy Otto Jordan, do E.C. Pinheiros, foi o sexto colocado nos 200m peito. Quatro anos mais tarde, Tetsuo Okamoto, nadador do Yara Clube Marília, foi o terceiro nos 1500m livre, colocação que Manoel dos Santos, E.C. Pinheiros, repetiu em Roma, 1960, nos 100m do mesmo estilo. Um ano mais tarde, o nadador tornou-se recordista mundial da prova. Depois dessas conquistas, o Brasil só voltou a se destacar na década de 1980, com a medalha de bronze no revezamento 4x200m livre nos Jogos Olímpicos de Moscou e, principalmente, em 1982, quando o paulista Ricardo Prado tornou-se o único brasileiro, até hoje, a vencer um campeonato mundial em piscina longa, em Guaiaquil no Equador, com direito ao recorde mundial dos 400m medley. A antiga CBN – Confederação Brasileira de Natação – se transformou em Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos – CBDA – em 1988 com a entrada do atual presidente Coaracy Nunes Filho, que entendeu que o nome da entidade deveria refletir todas as modalidades por ela representadas – natação, nado sincronizado, pólo aquático, saltos ornamentais e maratonas aquáticas. Em 1988, 3 mil atletas constavam nos cadastros da CBDA. Hoje, a Confederação tem mais de 65 mil atletas cadastrados, 3 mil clubes e 27 Federações Estaduais e um calendário com centenas de eventos nacionais e dezenas de competições internacionais por ano. Atualmente, o Brasil possui diversos atletas de nível internacional e o maior de todos é, sem dúvida, Gustavo Borges, dono de 4 medalhas olímpicas e, juntamente com Torben Grael, o atleta brasileiro mais premiado em Jogos Olímpicos. Além disso, a equipe de revezamento 4x100m livre foi duas vezes campeã mundial em piscinas de 25m e medalha de bronze nas Olimpíadas de Sydney, 2000. Mas nem só da natação em piscinas vive este esporte no Brasil, em 1958, Abílio Couto tornou-se o primeiro brasileiro a atravessar a nado o Canal da Mancha, tornando-se um dos primeiros mitos da natação brasileira. A travessia do Canal da Mancha representa a maior façanha em todo o mundo de um nadador de águas abertas. A fama de Abílio viria a crescer ainda mais no ano seguinte, em 1959, quando ele bateu o recorde mundial da travessia do Canal da Mancha – que liga a Inglaterra à França – com o tempo de 12h49min. Catorze dias após bater o recorde da travessia, Abílio disputou a etapa do Canal da Mancha válida pelo campeonato mundial de natação em águas abertas e venceu a prova que foi disputada por atletas profissionais (Abílio era amador).
Fontes de Referência
CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos)
FINA (La Federation Internationale de Natation)
História dos Esportes, Orlando Duarte, Makron
IOC (International Olympic Committee)
The Illustrated Encyclopedia of Sports, Aurum Press.

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